segunda-feira, 30 de abril de 2007

Calo-me

Não há mais o que dizer
Vou calar

E concentrar

Vou concentrar em calar

Minha língua vai repousar

Durante um segundo

E quando isso vier e chegar

A cabeça e o estomago

Tomarão a cabine de comando

Vai descansar como quem é morto
E neste breve meio segundo

Em meio a esta apnéia

Minha atenção toda

Minha concentração estará

Voltada à vida, calado

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Grande satisfação encontrar-te por aqui

Grande satisfação encontrar você por aqui

Aprendendo a gostar de ti

Mesmo de tão longe e friamente
Pelo teclado, fio e tela
Conheço-te, desconheço-te
Dilema desta nossa geração
A buca do calor em palavras e idéias
Mesmo não sabendo se o outro lado saberá
Ler e apreender tudo aquilo

As palavras falam.

Quem tiver ouvidos para ouvir que ouça
Quem tiver olhos para ver que veja

Quando o homem fala
Pede atenção, requer reflexão
Sei que você entenderia até mesmo

O silêncio meu!

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Deus, o grande barbeiro

Sabiam que de minha estreita relação com Deus, sabiam de meu relacionamento privilegiado com o criador, e que diariamente falo com Ele e que Ele fala comigo.

Mesmo sabendo disso, ou exatamente por saberem disso perguntaram-me:

– Porque o homem precisa de Deus?

Antes de qualquer outra coisa tenho que pontuar um par de coisas importantes para o norteamento deste pensamento:

1. Deus é uma pessoa.

2. Deus é o criador de todas as coisas.

Talvez esta não seja a ordem, contudo não quis considerar a maior ou menor importância destas afirmações, o fato fechado é que são absolutamente fundamentais, e não posso pensar na idéia de Deus sem estes preceitos, além do mais, estabelecendo isso evito ficar elencando motivos e listando razões e fatos aleatórios. Fazer isso seria uma boa, mas fica pra uma próxima.

Comparo Deus a um pai, ou a uma mãe, daqui pra frente vou classificar como pai simplesmente, mas a idéia exata está mais próxima dos pais, mãe e pai, do que apenas da figura masculina. É possível dispensar os préstimos de um pai? Abrir mão daquilo que um pai legítimo pode oferecer aos seus filhos?

É evidente que para estabelecer uma relação de paternidade com alguém, seja ele quem for, é preciso posicionar-se, posicionar-se e permanecer na posição. No caso da paternidade divina esta posição é feita de duas coisas, nesta ordem: Fé e amor.

Pensar na função ou utilidade de Deus é como pensar na ação de um pai no decorrer de toda vida de uma pessoa.

Pra começar toda criatura é fruto de uma criação a qual depende de um criador parque haja de fato. Um filho pressupõe um pai.

O pai cria, provê, protege, auxilia, ensina, encaminha, orienta, exorta, corrige e apóia entre outras várias coisas que faz pelos seus filhos. Minha experiência como filho e como pai me diz que isso é uma daquelas coisas que parecem estar corretas e estão corretas, digo que não há engano nisso!

Filhos precisam de um modelo de aparência moral, coisa que naturalmente os filhos buscam na pessoa do pai. Pense num filhote de falcão, por exemplo, ele não escolheria saltar do ninho feito na encosta da montanha por conta própria, isso é coisa do pai, por ele ficaria no ninho indefinidamente e com isso jamais voaria.

É evidente e claro que para o homem ter um pai como Deus é uma questão de escolha. Lanço mão de um exemplo sobre o acreditar e dispor de Deus como pessoa e como a pessoa de um pai:


Um homem conversa com seu barbeiro enquanto este lhe corta a barba, conversam sobre a situação atual do mundo, guerras, desordem, violência, fome, miséria. Em certa altura da conversa o barbeiro disse:

- Sabe, pensando bem não acredito que exista um Deus como aquele que aprendi que existia em minhas aulas na escola dominical.

- Mas porque está falando isso? Perguntou o homem com espuma no rosto.

- Oras como posso acreditar que haja um Deus que nos ama e que criou tudo e que deixa todas estas barbaridades acontecerem pelo mundo? Que pai é este? Indignado brandiu a navalha no ar.

Naquele momento o cliente não respondeu nada, compreendeu a indignação do barbeiro e posicionou-se solidário a ele, mas deixou claro não concordar que não houvesse Deus, apesar disso não entrou nesta discussão, afinal o homem tinha uma navalha que cortava até pensamentos.

Acabando o serviço, despediram-se muito educadamente, como de costume. O cliente saiu da barbearia foi pensando naquela coisa de que não existia Deus, e tudo mais o que o barbeiro, seu amigo de muitos anos, havia dito.

Andado pela calçada viu vários homens com os cabelos e barbas compridos e despenteados, lembrou-se do amigo da barbaria, voltou lá e ao entrar disse:

- Sabe, pensando bem não acredito que existam barbeiros nesta cidade.

Assustado o barbeiro diz:

- Como assim? Eu estou aqui o dia todo, como pode dizer que não existo?

- Oras como posso acreditar que existam barbeiros se andando pelas calçadas daqui só se vêem homens com os cabelos e as barbas compridas e despenteadas?

- Mas como posso fazer algo se estes homens não vêm a mim?Se vierem poderia cortar-lhes cabelos e barbas, e digo mais, se vierem numa boa poderia até fazer desconto ou não cobrar pelo serviço, conforme o caso!

(!!!)

Em minha opinião é exatamente isso que ocorre com o homem, Deus está lá, pronto para cortar a barba e cabelos de quem se dignar a entrar em seu salão e sentar-se em sua cadeira de barbeiro.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Vivendo vai morrer

Qual é a do poeta se não escrever?
Quem rascunha terminar
Ao que corre chegar
Àquele que explica esclarecer
A quem trabalha o pagamento

Esforçando-se reconhecimento
Estuda quer canudo
Nascendo quer crescer
Crescendo quer viver
Vivendo vai morrer

Não sei bem se o poeta escreve
Pois a sina de quem ama é não amar