"Um conjunto de versos pode dizer mais do que um livro inteiro e fala coisas à alma, ao coração e ao corpo, basta ficar nas pontas dos pés e se esticar para alcançá-las." Marcos Pedroso.
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Velha Roupa Colorida
Ahh mis amigos de toda la vida!
Não sabíamos as regras
e acertávamos sempre
quais fossem as montanhas
sabíamos os caminhos todos
De superação, especialistas hoje
nem sabíamos nem sonhávamos
a vida era doce e os tempos pareciam bons
não importava o que não tinha importância
ter carregava só o sentido de ter
e para ser bastava-nos acordar
Nada de saudade, só a realidade
bobagens de quem segue pensando
Eu que sou mais dado à tristeza
do que à alteração pura a simples
prefiro a entorpecência que me sobrevenha pelos sentimentos
e que minhas dores, inevitável dores venham
e que só mais ou menos eu saiba de onde
E mais um monte de coisas importantes
que eu tinha pra escrever
mas que agora não posso lembrar
pois só me lembro
dos tempos que me pareciam bons
terça-feira, 21 de junho de 2016
Um dia quis eu o vento
Um dia eu quis o vento
e reneguei as minhas asas
e os desejos me rondavam
e ainda rondam hoje
e vão além dos sonhos
perseguem pelas ruas ligeiras
comigo não deixam o silêncio
comigo não existe o silêncio
e ninguém nunca o soube
quisera eu saber
o que é o silêncio?
as Minhas e as Tuas coisas
não combinaram, a gente só fingiu
e todo aquele tempo
que parece nada aqui
para onde foi a importância?
xadrez na cabeça
o coração repete o xeque
e toda preocupação e os planos
são agora tão pequenos
quanto já foram grandes
um dia
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Coração, infinito coração.
Infinito, dobrável metido
faz-se fígado e tripas
desce ao estômago e bate
na boca atravessado na garganta
quer que tudo se sinta
sente que tudo se queira
Esquece só que não é sozinho
e faz tremer o mais forte
espreme os olhos por dentro
até que saia água
chora mordido o peito
Ingrato, infinito coração
não acaba na miséria de sentir
ama e não quer nem saber se
amo eu
Mia com saudade essa
outra infinitude
traiçoeiro, traído coração
Autônomo, maldito infinito e si
sua infinitude, coração
é tudo o que tens
tem dó, coração, tem dó!
Acaba, infinito coração
acaba...
segunda-feira, 21 de março de 2016
Investigando o nada
Do concreto mensurável
até o abissal abstrato
ante o subjetivo que repousa
enquanto não se sabe
nada sobre a próxima palavra
na esquina onde o vento faz curva
onde acaba a lua e começa o lado escuro
Quando a rua, ela ficava estreita
e as regras mais e mais duras
as normas procuram pelos normais
e dormem tranquilos o inconformes
conformados depois de tanta luta vã
Fechando os olhos
zanzam os sentimentos
brincando de serem pensamentos
ao mesmo tempo em que os tolos
buscam preencher este mundo de lacunas
tentando o resgate também tolo
dos nossos significados perdidos
segunda-feira, 14 de março de 2016
Garantindo
garantir, prevenir
projetar, planificar
controlar, gerir
Enquanto estiver tudo assim
controlado, esclarecido
e nossas decisões baseadas
nas informações mais precisas
Não será preciso ser feliz
Vamos tangendo a tudo
vendo os acontecimentos desta vida
como uma tropa, uma boiada
e nós com o berrante do impossível
E por ora é o vento
a fazer a onda vir morrer na areia
em uma espuma efervescente
a nossa única garantia
segunda-feira, 7 de março de 2016
De si mesma
Entrou diretamente e pela porta os passos firmes
decididos compenetrados seguros cheios
fixos na cadeira os olhos mal se mexiam
o salão não pode reagir à essa entrada
sua chegada fez a cadeira posicionar-se
sentando suavemente ajeitou-se
o vestido, a bolsa, os cabelos
já à mesa confere o relógio de dourado
- "Vinho" enquanto ajeitava os cabelos
a entrada, salada, o prato
despreocupada a refeição, empoderada, impávida
confere os lábios no pequeno espelho redondo
com os dedos dentre os cabelos, os brincos de herança
sobremesa, água e um café sem açúcar
Fitou o salão solenemente, as cortinas, as mesas, as pessoas
e o senhor garçom com sua gravata
nem débito e nem crédito. Dinheiro
e a gorjeta arredonda a conta
gastou mais dois minutos, confere todo o ouro
os cabelos, os dedos por entre os cabelos e a fivela
Levantou-se suavemente e naqueles passos com que chegou, saiu
fez vento o seu vestido
e o perfume à dançar seguindo-a disse adeus num aceno breve e inesquecível
E foi aquilo mesmo, só mais um jantar consigo mesma
decididos compenetrados seguros cheios
fixos na cadeira os olhos mal se mexiam
o salão não pode reagir à essa entrada
sua chegada fez a cadeira posicionar-se
sentando suavemente ajeitou-se
o vestido, a bolsa, os cabelos
já à mesa confere o relógio de dourado
- "Vinho" enquanto ajeitava os cabelos
a entrada, salada, o prato
despreocupada a refeição, empoderada, impávida
confere os lábios no pequeno espelho redondo
com os dedos dentre os cabelos, os brincos de herança
sobremesa, água e um café sem açúcar
Fitou o salão solenemente, as cortinas, as mesas, as pessoas
e o senhor garçom com sua gravata
nem débito e nem crédito. Dinheiro
e a gorjeta arredonda a conta
gastou mais dois minutos, confere todo o ouro
os cabelos, os dedos por entre os cabelos e a fivela
Levantou-se suavemente e naqueles passos com que chegou, saiu
fez vento o seu vestido
e o perfume à dançar seguindo-a disse adeus num aceno breve e inesquecível
E foi aquilo mesmo, só mais um jantar consigo mesma
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