segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Simples desafio


O Simples é um desafio.
Simples assim, como dizia um querido perdido professor de meu passado.
Nada é simples assim, nem mesmo o próprio simples.
Há muito pouco de simples no simples, quase nada!
Complicar, isso sim é simples

Simples assim como ver o céu azul de manhã
O céu laranja de tarde
Negro da noite sem estrelas
Estrelas simples
Simples pontos brilhantes

Pra quem entende assim
E quem entende?

domingo, 4 de novembro de 2007

Na hora do almoço

Todas as terças era lá o almoço, no mesmo lugar, restaurante simples, toalhas de plástico e pratos de vidro. O encontro com o careca narigudo era sempre pontual, a troca de um rápido olá como dono do local, gordo, bochechas rosadas, bigode portuguesíssimo que se enrolava nos cantos da boca como que a invadindo. Aquele pensamento usual sempre lhe voltava à cabeça, agradecia a Deus pelo ensebado ser o dono do lugar e não o cozinheiro ou ele teria que abrir mão do picadinho e do refogado de abobrinha das terças de que tanto gostava.

No bufê de quatro cubas serviu-se como de costume, copiou o peso do prato da semana passada, água com gás sem gelo, dois palitos de dentes e três guardanapos. Chegava sempre mais cedo do que os outros clientes e assim tinha sua mesa e cadeira, no canto do pequeno salão de pé-direito alto, sempre reservados. O careca agora não era mais narigudo, ele se sentava de costas. A nuca dele também era careca!
De cabeça baixa nem via o restaurante se encher, falar cada vez mais alto e bater copos e talheres. Naquela mesa travava-se uma guerra, dava a última do mesmo modo como dava a primeira garfada e fim.
Não comia rápido por pressa e sim por hábito.

Pagou sua conta também rapidamente, já sabia o valor até mesmo nos centavos, era assim há sei lá quantos anos, ou seriam décadas? Só as unhas do gordo sebento é que estavam desta vez mais compridas e sujas, de resto tudo igual.

Saiu, o restaurante ficava num posto de gasolina, tomou rumo do banco, na calçada viu todos aqueles que sempre via naquele lugar e àquela hora.

Eram seis guichês, três funcionários: A gorda, o rapaz da gravata mais odiosa jamais costurada e a loira feia, sempre ocupavam as mesmas posições. Naqueles vinte e tantos minutos semanais de fila ele pensava em muitos assuntos importantes, falava em silêncio consigo sobre a fome no mundo, biocombustíveis, as taxas de juros e por mais que tentasse evitar sua mente trazia a imagem e era inescapável. Aquela gravata maldita era, talvez, a única coisa que o fazia sentir ódio de verdade. Tendo feito tudo, com um aceno de cabeça saiu rápido cumprimentando o vigilante baixote á porta.

Na padaria um café americano, americano pelo copo e não pelo café. Com isso fecharia seu almoço, mas não antes de ver sua esperada. Com o copo na mão fixava os olhos na porta que dava acesso ao escritório de contabilidade que funcionava no segundo andar sobre uma loja de tecidos do outro lado da rua. No fundo do copo o café esfriava enquanto esperava ver a secretária do contabilista voltar do almoço.

Na espera apneica o fim café já morno no fundo do copo também esperava enquanto ele pensava em como ela estaria hoje. Sandália amarrada nas canelas, ele veio saber que eram chamadas romanas muito depois de tudo isso, ou hoje seria o vestido, ou o terninho bege já surrado, mas que vestia tão bem. Cabelos amarrados em coque ou soltos ao vento? Não importava, fosse como fosse ele já conhecia todo seu guarda-roupas e já imaginara todas as combinações possíveis e impossíveis de suas peças, e já vinha chegando a hora.

Por seus cálculos os quatro minutos que separavam seu café quente da volta da esperada já haviam passado.

Tomou com a garganta o café gelado assim que desistiu de esperar. Talvez ela tenha faltado, uma tia doente quem sabe, certamente ela não se adoentava, era corada e parecia ser forte e saudável, nada de mais.

Lamentou não poder vê-la hoje e o quanto sua tarde seria triste e sua manhã seguinte sem graça por isso, pois não poder contemplá-la deixava sua vida gelada como aquele fundo de café.

Pensava estas coisas e seus olhos lamentosos ainda procuravam vê-la mesmo sabendo que seria inútil, o contabilista trabalharia sozinho hoje, ela realmente havia faltado no trabalho, apenas faltado como raramente acontecia, nada mais, só isso, pensava e se convencia e se acalmava com essa idéia. Amanhã tudo volta a ser como antes.

Tomou o rumo do escritório que nesta tarde seria um freezer sem o calor daquela visão de sete segundos. Caminhou mais lento do que o lento de todo dia, lento como quem não quer chegar. Num instante raro levantou a cabeça e viu a multidão, um ajuntamento na esquina da grande avenida, chegando mais próximo do burburinho percebeu os curiosos acotovelando-se em volta de algo o qual ele não sabia o que poderia saber. Ninguém poderia.

Nunca tivera este tipo de curiosidade, não era afeito a muita gente junta, mas pelo que se podia ouvir enquanto contornava o vulgo ainda tentando chegar ao escritório, agora como quem quer acabar logo com aquilo, é que houve um atropelamento. Como mágica assim que ele virou a cabeça, a massa humana abriu-se e por ali pode ver o terninho bege ensangüentado.

A esperada foi morta pelo bonde.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

A pequenez do não escrever e questões maiores

Prezados presentes,
Escrever se tornou um peso pra mim, esta é uma afirmação muito estranha se vem de minha pena, que pena!
Não porque obrigatoriamente tenho que produzir qualquer porcaria a cada semana, se bem que ultimamente isso é a única coisa que me tenho conseguido fazer, suar as palavras, mas este é o sentimento: Inspiração boa zero!
Minhas dobradiças têm rangido muito por conta desta secura e meus movimentos parecem cada vez mais limitados, e pior ainda, cada vez mais previsíveis e isso é muito chato.
É certo que este tema me é recorrente e quem lê se lê minhas coisas reconhece o ‘charme’ de falar sobre o não ter do que falar, mas muito infelizmente aquilo realmente foi charme, mas isso aqui não o é. Escrever se tornou um peso pra mim.
Sentimentos tenho aos milhares de milhões e muito bem visíveis pra mim apesar de não muito bem definíveis, idéias e pensamentos continuam a povoar e reproduzirem-se em mim por toda parte. O que ocorre é que colocar isso porta a fora está sofrido, pesado e difícil como um trator de esteira!
Tentei analisar minha falta de tempo e colocá-la como responsável por isso que está aqui em meu sapato, mas apesar disso ser verdade, eu tenho tipo pouco temo sim até de pensar, esta não é a razão primeira para esta dor de parto que nunca produz um filho.
Creditar isso à pseudo falta pouca visibilidade, digo isso, pois apesar de não termos tantos comentários postados nossas visitas únicas estão em número muito próximo ao quinhentos por dia, o que acho bom e pode melhorar é verdade, mas este é um número bom, mas não é isso, não tenho esta sede há tempos, aprendi a não depender mais dos amendoins.
O que tem deve ser dito também é que apenas usuários ‘logados’ podem comentar e isso inibe muitos comentadores, se vocês perceberam fomos atacados por máquinas de comentários/spam/comercial da pior espécie e isso nos obriga a exigir o login do usuário comentador, um mal necessário que resolve um problema sem outra solução visível por ora, muito infelizmente.
Voltando, já estou de saco cheio disso, mas tenho que acabar com o texto:
-Muitíssimas idéias, sentimentos, questionamentos, os quais teriam sua válvula de escape natural na escrita estão aqui acumulados. Motivos tenho muitos, como já dito, mas por ora a porta está fechada e trancada!

domingo, 30 de setembro de 2007

Muito seco

Arial – 12.
Visualização em layout de impressão, 100%
Nada de negrito ou itálico.
Alinhamento à esquerda, eu normalmente não altero as margens.
Destaque nos erros de ortografia.
Isso me diverte e me ajuda.
Não raro ele consegue ser mais burro do que eu!

Uma música on-line nos fones de ouvidos, qualquer coisa.
Qualquer paixão me diverte.
Qualquer coisa de que eu goste!

Luz baixa, mas que possa chegar ao teclado com ela.
Deito-me de lado no espelho da mente.
Encosto o nariz até embaçar.
Respiro devagar pra continuar a enxergar

Estas malditas têm me fugido
Malditas quando longe
Se não podemos domá-las
Desejáveis se seu suor nos molha a roupa
E as cavalgamos

Faz tempo estou só no oco de um espelho embaçado
Só mas nunca só de verdade
Eis aí o grande desafio
Pelo menos tenho consciência de minha situação
Não me coloco como um visionário
Alguém que quer se enganar e por querer já engana!

O cursor em sua intermitência irritante.
Não permite que eu disfarce meu disfarce.
Nem comigo mesmo ele me deixa ficar só.

Alguma rima que não rime nos ouvidos
Mas que rime na mente sã de preferências

E por mais que eu cave por ora nada de água!

domingo, 23 de setembro de 2007

Pra onde vamos?

Será esta pergunta justa?
Isso dependerá de quem responde.
Sempre depende de algo
Nada é o que é e ponto.

Nem o ponto.

Dependemos do relógio
Da energia elétrica
Seu completo inútil!
Nem pensar sem suas pilhas é capaz
Um completo inútil pós moderno

Ou seria contemporâneo?

Acerta quem duvida e
Quem duvida com a dúvida certa
Erra quem responde
Nada é fechado ou aberto
Nada é aberto ou fechado
 
Sempre olhamos pela fresta da janela. E olharemos.