segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Se for o caso

Ouvi por aí
que deveríamos
permitir-nos
sair dois passos
tomar fôlego profundo
olhar a luz do sol
e tentar lembrar
daquilo que queríamos
de nós mesmos
quando o desejo era
ser alguém aqui
e num novo respirar
fechar os olhos e
tentar descobrir não só
o que é aquilo
que somos hoje
mas principalmente
entender ou tentar
como é que isso
foi acontecer
não por arrependimento
mas para saber como foi
para que se for o caso
voltar

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Reflexão

Este voo
Mergulho profundo
Da apneia na
mente que à
tão poucos
é permitido
Vai calçado com
os pés-de-pato
 do sentimento
Alguém que quer
conhecer-se a fundo

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O Meu Lugar

Ao amigo Henry Rolin

E este é o lugar
aqui onde fica minha cabeça
e ao correr da semana apressada
o corpo longe sonha com a volta

Onde os amigos e os copos
encontram-se e onde a brisa sopra
fresca como água que corre sem parar
e onde paramos e somos nós aqui

Em volta do fogo que queima tudo
aqui, tudo acontece
e resolvemos a vida um do outro
ou nos esquecemos dela
pra o nosso próprio bem

Rimos da verdade e
choramos também aqui
não se quer alguém de ferro por perto
precisa-se de gente!

Celebre a amizade e a vida
a vida, já que curta
que não seja chata
não mais chata
do que deve ser
Aqui.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Espera

Esperei por você
achei que ia chegar e que
mais cedo ou mais tarde
iríamos nos encontrar.

Esperei por você
achei que iria me ligar e que
logo mais a gente iria conversar.

Esperei por você
achei que me escreveria
então numa troca de mensagens
a gente iria se entender.

Esperei por você
achei que jamais te esqueceria
então quando achei que num sonho veria você
minha memória disse não!

Esperei por você
 e acontece que hoje não me lembro
do seu rosto, da sua voz
e nem de quem você foi pra mim.

Esperei,
não espero mais.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Nos mesmos nós


Nossas distâncias são mais longas
nossos pesos são maiores
As dores mais doídas
E as cores mais carentes dum calor qualquer

Nossas possibilidades infinitas
nossas garantias nulas!

Ninguém é mais do que somos nós
e nós queremos mais e melhor

Somos pobres ricos 
e somo ricos pobres
um gigante órfão

Somos nós, a locomotiva de um trem
longuíssimo, pesadíssimo

Um buraco muito fundo
que nos engula em sua escuridão
e depois que nos desapareça

Esse nós individual em que estamos
cada um em seu próprio nós

Cá entre estes nós
Esquecidos, esquecidíssmos entre nós.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Por ora

A exatidão geométrica atormenta.
Enquanto seres inundados
em sua felicidade cartesiana
encharcados na moral
e seus altos valores seguem 
a vida de meia-tigela
mas feliz!
- Minhas saudações aos incertos atormentados.