segunda-feira, 26 de março de 2007

Escolher, a Rosa

Quando cabe a nós a escolha
E em nossas mãos está o destino
Norte ou sul não importa, esse é só seu
Dormimos o sono dos poderosos
O tempo nos rouba a primazia da escolha
Percebemos que nunca no coube preferir ou preterir
Esteve sempre já determinado
Apenas não nos era dado saber qual
Pois se há alguma coisa soberana por si só
Esta é a rosa-dos-ventos

quinta-feira, 22 de março de 2007

Vou escrever poesias

Vou escrever três poesias

Escrever à tinta

Três, pois três é um número bom

Poesias não têm compromisso com a matemática

Correr a caneta no papel

Como quem rabisca uma assinatura conhecida

Automático, escape autônomo

Os dois são amigos e não pedem recibo

Com a demanda acelerada dos dias nossos

Adequar coisa como esta dispensável

Encaixar o grito rouco quase mudo

É afogar o coração em um mar de esperança 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Olhei pro alto

Somente o céu

Sem nuvens astros ou estrelas

Somente o azul líquido


Aí sim percebi

Aquilo que me iluminava

O Sol estava ao meu lado

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Opções e possibilidades.

Tudo nesta vida é uma questão daquilo que resulta da relação entre a opção e a possibilidade, dentre outras pequenas quimeras. Inicialmente é levada em consideração, e se possível fosse além de inicial seria exclusivamente, nossas opções e escolhas baseadas em vontades e preferências.

No entanto muito pouco daquilo que fazemos, pensamos ou sentimos, está sujeito apenas ao índice do querer ou do preferir, aliás, estes podem ser chamados índices ou critérios virtuais, pois nunca são determinantes finais para qualquer questão, seja ela pessoal ou não.

Ficamos emparedados nas possibilidades, limitados por coisas que não têm a menor preocupação com nossas vontades ou preferências.

Tenha sorte de gostar daquilo que está ao seu alcance e seja feliz como a sabedoria popular propõe: “Não tenho tudo o que amo, mas amo aquilo que tenho”, ou aprenda a adaptar-se.

Mas este segundo caso não está no campo da vontade, mas nos domínios das possibilidades. Quem sabe este seja o caminho, parar de refletir no que poderia e focar-se exclusivamente naquilo que é ou no que pode efetivamente ser?

Isto, talvez, se não for bem pensado e pesado, pode se tornar na morte prematura dos planos e sonhos insistentes em nascer com capim, sem que se precise plantar. Este é um assunto para outro momento.

Tudo dentro das possibilidades, é claro!

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

As coisas que fiz em uma fase que se foi.

Juntei aquelas coisas que fiz

Nesta fase que ora morre

Coloquei em uma pasta

Cabia tudo numa pasta

Fechei com um ziper

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

O próprio e o universal.

Tenho que achar graça mesmo das coisas que acontecem comigo. Parece que as situações diariamente têm o cuidado de manter claro de forma indelével que nada está sob meu controle, nem relativamente tão pouco absolutamente.
Deter o controle das coisas é muito confortável e desejoso, saber o quê, quando, onde, como, quem, por que, talvez resuma os desejos mais universais do homem, pelo menos do homem ocidental.
Contudo a impressão que eu tenho é que não foi dado ao ser humano apreender todas as estas coisas, ao menos não todas de uma só vez. – Se ficamos loucos na busca por isso, penso: O que seria de nós se pudéssemos dar conta de tudo?
Isso tem levado o homem a um sistemático isolamento social, uma separação em tribos, gangues, camadas sociais, condomínios e em outros tantos formatos, que em última análise, deixando de lado a busca por conforto e segurança física, tem por fim criar um sumário do universo que contenha os básicos “o quê”, “quando”, “onde”, “como”, “quem”, “por que”, entre outros pontos de conflito de maneira que se possam controlar minimamente estas entidades incontroláveis do universo universal em um universo próprio, isso provoca a realíssima impressão de poder, controle e conforto. O homem quer viver em uma mentira, desde que esta esteja sob seu comando.
Ignorar o universal e concentrar-se no próprio pode trazer felicidade.
Isso é engraçado ou não é?