segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Dor


Quem é que quer
viver sem doer
Seria a gargalhada
Com a boca fechada
e uma sequência de fatos
acontecimentos sem mais
ou qualquer porquê

Imaginei a vida sem dor
Tive dó da vida

Tem dias em que a gente
acorda estranho mesmo
com pensamentos bestas
destes que todo mundo tem
um dia ou outro

Quem imaginou uma vida
sem dor não pensou
na vida ou mesmo na dor

Vida, Dor, Amor
Clichê, eu sei
antigo, ok
Mas como negar?
Funciona!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Vapor



Exato mesmo assim
ou não tanto
E assim inexato
funcionam meus versos
coisas que uso
qual espelho
em que me reflito
No qual mergulho
então me vejo
ainda me perco
e me acho talvez
e voo também
de novo e neles
mesmo significo
e insignifico
ao mesmo tempo
se saio ou se fico
sendo e deixando
de ser, não sendo
e principalmente
um vapor ligeiro
desaparecendo

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Mudanças



Quero uma canção que celebre a alegria
Uma porção de versos de cores fortes
Onde a vida é desejada e neste desejo haja
A real motivação de se respirar

Quero que a Luz transborde de verdade e que 
Uma porção de coisas boas venham ao clarão
Onde a vida acontece sem medo, sem reserva
A real e verdadeira vida viva

Quero sorrisos de boca inteira
Uma porção de olhares profundos
Onde se veja por completo a um e a outro
A real maneira de compartilhar felicidade

Quero um horizonte verde e azul e
Uma porção extra de esperanças
Onde o sonho e a realidade são amigos
Uma realidade mansa e generosa

Quero vento fresco
Uma porção de amigos
Onde quer que seja
Realmente quero

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Na beira



Estou sentado mas
ainda posso me levantar

E melhor ver o fundo
desse precipício

Namorar um voo perfeito
sem asas e sem volta

Como deve ser

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Tudo



Havia tanto para entregar
tanto tempo e muita coisa
coisas que se passaram
e outras que não passam

Coisas que ficaram
sem verso ou rima
nem sequem uma prosa
qualquer coisa, nada

Nenhuma canção ou mesmo
um hay kay rabiscado
num guardanapo molhado
resumindo o mundo num sorriso

Tantos pensamentos
os pés-sem-cabeça
meus coisa-com-coisa
e ligações perdidas no celular

Poderíamos nos sentar
em qualquer lugar
e falar sobre o que não
foi dito pois se perdeu

E minhas inquietudes 
de fim de semana chuvoso
esperando ao menos
a lembrança do riso seu

Vejo assim e então
que de fato nada
ou pouco mesmo
há de estar perdido

E o que havia, há
E o que se foi, é
Dito sem lábios
Ouvido sem ouvidos

Visto sem olhos
e sentido sem sentido
Num coração prestes
a se perder, perdido.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Sinuca da vida




Ora, esta é uma daquelas jogadas
nas quais a vida é especialista
e sua posição é desfavorável
desconfortável, desaconselhável
e por muito tempo foi inimaginável
não se espante.

- Sinuca de bico.

veja que sem parar
as jogadas vão se sucedendo
o jogo vai se desenrolando e
chegará a inevitável hora
quando aquela tacada será inevitável.
Então, giz no taco!