domingo, 12 de junho de 2011

Verbo tão somente



Vou juntar pra você
Uma porção de palavras das mais simples
Preenchidas de coisas das mais bonitas

Um sei-lá-que de sentimentos
Saudades do passado em
Expectativas para o futuro
Num leque colorido de emoções e tudo
Tudo contigo e em você

E vou entregar pessoalmente
Em mãos ao seu ouvido
Bem e tão perto assim
Pros lábios meus
Tocarem-lhe a orelha assim mesmo

Sentirá o calor destes simples ditos
Que vão ficar marcados fundo
Virão à tona sempre e
Quando lhe sobrevier a dor da chuva
O desespero ou a saudade de um dia frio

Há tanto tempo e a força não se dissipa
Mas se concentra toma vida e mais
Torna viva a vida toda
Amo ainda e a cada dia mais

quinta-feira, 9 de junho de 2011

No fim


Por vezes é abismo, um poço
Algo de um sem número de camadas
Outras tantas é só isso que se vê
Tanto quanto se vê
Tão somente a superfície lisa

Por que eu sou tudo, eu sou todos
Sou o quanto te basta
E o tudo que te falta
Sou o vento que passa
Sou a pedra que fica
Pra vai virar pó um dia

E quando chegar sua vez
De me sentir dentro
Numa singela lembrança
Ou num espinho na carne
Vai perceber a minha ausência

E essa tristeza
Que se não tem nem nome
Que se não tem cara hoje
Dará o de ar sua graça se mostrando

Na cor de seus olhos
E cor dos seus cabelos
Linda e faceira sabedora do quanto dói

E quando aquele pó de pedra
Que te cobre os pés há muito cansados
Receber algumas das lágrimas suas
Aí então tudo ou nada
Fará todo sentido

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Você

Posso ter ciúme de você
E posso ter ódio de você
Posso ter saudade e
Posso ser apaixonado por você
E posso te amar também

Tudo de uma só vez
Agora mesmo

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Como vento


Passarinhos
Borboletas
Morcegos
Formigas
Pinguins
Veleiros
Aviões
Xícaras e canecas
Ícaro
Fênix
Grifos
Pégasos
Gárgulas
Mercúrio
Querubins

Não Preciso de asas

terça-feira, 31 de maio de 2011

As Tuas Asas


Não precisa de asas
Se o céu é todo seu
Tampouco de rodas
Tendo todas as estradas
Estrelas esticadas

Pra que âncoras enfim?
É sem freios de fábrica
Imaginação motor-motivo somente
Paixão te transborda o tanque

Quer versos e um canto
Quer as velas e os ventos
Nada de compromisso
A não ser com o querer
Pensar apenas no encaixe
Do bilboquê da vida

Uma roupa bem clara e solta
Na cabeça um lenço só
No rosto o ar leve da brisa fresca
O campo dourado da tarde laranja
Num confortável dia de semana

Viver assim acontece
No anseio da liberdade
De uma vida simples
Sem vidros ou tapetes

Pés no teu chão
Cabeça no teu céu

domingo, 29 de maio de 2011

Rascunhos Originais



Fazia tempo eu não me metia a organizar caixas livros e papéis, antes tivesse ficado no sofá abraçado com ele em minha solidão de um silencio só quebrado pela televisão.

Revirando coisas velhas já presenteadas pela poeira dos esquecidos, encontrei um maço de papéis amarelados amarrado com uma fita de veludo, pareciam ser cartas escritas com o que costumava ser a minha letra.

Incauto, desfiz o laço de fita azul, coisa que jamais faria se desconfiasse o tamanho daquilo que tinha em minhas mãos naquele instante.

Sentei-me no tapete, espalhei as folhas, lembrei-me brevemente do dia em que havia
feito tal maço e começou ali o que me consome até agora.

Tudo aquilo que hoje faz parte dos ignorados pela memória do faminto dia-a-dia que nos traga a todos todo dia, aquilo que escolhi num passado não tão distante sepultar, me vem como uma garrafa devolvida pelo mar. Como uma incômoda barata que entra voando pela janela de uma noite quente.

Memórias são coisas que por mais incômodas que nos sejam, trazemos conosco da forma mais confortável possível, a gente escolhe um canto na mochila de modo que não nos cutuque as costas e leva, leva a vida, é assim.

E lá dentro sofrem conosco as intempéries todas de quem escolhe sair na chuva, ficam num fundo quase se privilegiando do esquecimento, sofrem distorções em contato com novas experiências e acabam por se transformar e mudar, mesmo que seja só impressão nossa.

Mas isso é como um soco no nariz, ali deitado em cada folha amarelada estava eu mesmo, inteiro em idéias e sentimentos, sem os óculos do tempo.

Todas eram rascunhos originais de coisas escritas pra você. Papéis decorados, canetas coloridas, mensagens cruas de alguém que já morreu. Impossível não perceber a maneira de lutar de quem não se defende nunca e por isso morreu tão cedo.

Algumas eram respostas ao que agradeço por não me lembrar.

Voltei a sentir sabores e cheiros que há muito tempo, pelo menos em minha memória sem data, não sentia.

– Doce no início, amargo no final.

E ali no tapete espalhados toda sorte de emoções e sentimentos que são de conhecimento do homem e mais uma porção de outros ainda não documentados pela ciência em todo tipo de combinações. A experiência chegou ao nível extracorpóreo por pelo menos três segundos.

Ventania, tempestade, ressaca, frio congelante, calor sufocante, fui e vim de todos extremos humanos ou não ao ver seu rosto num susto entre as linhas de amor e confiança que eu lhe endereçava, tudo ao mesmo tempo.

Resolvi tudo com um saco preto, uma lata de lixo, uma caixa de fósforos e toda dor do mundo! Mesmo assim isso aqui ainda me consome.