terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Star kiss

Tantos assuntos sérios e tantos e tão competentes escritores versando sobre tais temas que fico chateado só de pensar em falar sobre a operação tapa-buracos federais, CPI, conselho dê a ética, convocação extraordinária do congresso e sua remuneração extra extraordinária, então pra ver se sou capaz de fazer aquilo que o brasileiro e a hiena faz tão bem: rir.

Namoro na quadra de basquete: Beijo nas alturas.

Aos sábados não fazemos trocas, troque de loja.

Pombal cabeleireiros unisex: Cagamos na tua cabeça.

- Querida, coloque o relógio para me despertador as três, não posso perder o horário do meu remédio para insônia.

Simão meu filho, colírio alucinógeno agora é vendido em galão de 18L.

(Agora vou parar, não agüento mais! Nem eu estou suportando meu mau humor)

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Esperanças

É sempre a mesma coisa, aquele monte de desejos, sinceros ou não, não importa, aquele monte de blá blá blá e coisa e tal, tudo de bom, sucesso, saúde, felicidade, ainda bem que acabou!
Mais uma virada no calendário, agora já foi, jogue fora aquela folhinha rabiscada e já magra, a agenda ensebada e toda torta encoste-a numa gaveta funda junto das representantes dos anos que já foram, ou queime como você fez no ano passado.
Deixe o Silvestre pra trás, tire aquela roupa branca datada, junte a lingerie lavada com todas as outras lá na gaveta das meias, afinal de contas logo o elástico vai esgarçar, e a esperança que você depositou no vermelho de seu tecido, desbotará.
Guarde bem todas simpatias que fez, preserve ou jogue (prefiro jogar) todos os patuás, os patubês, e os patucês que fizeste, afinal estamos num ano novo. E aquela nossa dieta este ano vai!
O presente do amigo secreto, que você prometeu não entraria nunca mais, que não te serve para nada, embrulhe e guarde para se vingar em alguém no fim do ano.
No desmontar da arvore de natal, cuidado como os pisca-piscas, quem sabe se você caprichar, no natal deste ano não precise comprar de novo (todo ano é a mesma coisa, nunca funciona!), os cartões carregados de felicitações dos clientes-amigos, parentes distantes e carimbos de vereadores, presidentes de associações amigos de bairro, e este ano até o pessoal do sindicato se preocupou...
Os projetos não executados: engavete. Sonhos: comece de novo, não estará livre deles este ano. Dívidas: renegocie ou pague-as (é até engraçado). Promessas: cumpra ou remove-as. Consciência: mantenha a sua limpa, limpa de verdade, e não por nunca ser usada. Coragem: tenha coragem de mudar, ou fique onde está se tiver coragem. Mantenha sua integridade, seja fiel a si mesmo. Honestidade começa em casa e revoluções na cabeça. Trabalhe duro e acredite em si, se puder!
Desejo do fundo do meu coração saúde, paz e que a esperança se renove neste ano que nasce.


M.

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Como será o amanhã?

es.pe.ran.ça
(de esperar) sf 1 Ato de esperar o que se deseja. 2 Confiança em conseguir o que se deseja. 3 O que se espera ou deseja.

pers.pec.ti.va
(lat perspectiva) sf 1 Arte de figurar, no desenho ou pintura, as diversas distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos a distância. 2 Pintura que representa jardins ou edificações a distância. 3 fig Panorama; vista. 4 Probabilidade, expectativa.
Confrontam-se tais termos em minha cabeça. Na cabeça de todo brasileiro creio eu.

Tempo

Quem teve a idéia
de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial,
industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar
no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez, com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui por diante vai ser diferente
Carlos Drummond de Andrade
Mas o ano se inicia e temos que pensar em mais esta fatia.
Um bom ano a todos.
Novas reflexões, novas esperanças e vamos que vamos.
- Curada a ressaca, adiante!

Beijos a todas e abraços a todos.

M.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Fechamento

Pois bem crianças, mais um ano passou e as festas estão aí pelo meio. Não pude produzir nada além deste singelíssimo texto de agradecimento e de reconhecimento por toda generosidade de que foi alvo por parte de meus colegas de bordo assim como nossos importantíssimos, ilustríssimos e inteligentíssimos visitantes comentaristas ou não (superlativos à vontade nesta hora da festa e de emoção).


E aquilo tudo que se deseja nesta época do ano eu desejo a vocês, espero tê-los todos o ano que vem, presentes e ativos nos comentários, fazendo um simplicíssimo muito melhor.


Um braço a todos. Muito obrigado


M.

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

Poeta de boné xadrez.

Tinha reservado um tema especial para este texto que considero especial. A coroação da sorte que beneficia aos bem preparados, ou aos insistentes como eu, mas nem tudo se pode controlar...

Andava meio perdido por ruas do bairro de Pinheiros, aqui em São Paulo, sabe quando você marca um encontro e chega bem antes ao local marcado, e para não ficar esperando sentado você vai dar uma volta? Então, fazia isto, ia para uma grande loja de livros, CDs, e eletrônicos que há perto dali. Bem ao lado da porta de tal loja, estava um rapaz franzino, baixinho, aparentando uns vinte e três anos de idade e usando um boné xadrez:

- Olá brasileiro, ele me abordou com alguns livros nas mãos. Posso lhe oferecer cultura?

- Sim, eu disse a ele parando para ouvir o que tinha a dizer.

- Este livro é obra minha, independente, dê uma olhada.

Era um livro fino e com uma capa simples, peguei livro das mãos dele e veio junto uma recomendação:

- Abra na página doze, esta é boa para os dias em que vivemos hoje!

Para minha surpresa era um livro de poesias, li e vi que eram versos decassílabos, um soneto falando da correria do dia-a-dia, parei por um segundo e pensei que a indicação que me fizera era por conta da gravata que eu usava, pois bem, correria por correria, li rapidamente duas vezes e gostei.

- Escuta meu jovem, você tem sorte e azar, sorte, pois gosto de poesia, e azar porque não tenho dinheiro algum.

- Não tem problema, já estou acostumado.

- Parabéns pela iniciativa, é tudo por sua conta?

- Sim. Autoria, diagramação, produção, impressão, editoração e vendas...

- E por que em versos fechados?

- Na verdade tem de tudo aí, este capítulo é só de sonetos, mais adiante, veja, tem versos alexandrinos e lá no fim, versos livres...

- Puxa! Isso é raro. Mas e aí, qual é o mote? Por que escreve?

- São tantos os motivos, mas neste livro o que mais está presente é a chamada de atenção que tento fazer para quem não pára, para o humano, aparentemente nenhuma novidade.

- É, lembro da história do velho que fazia um discurso inflamado de cima de uma caixa, no centro da praça de uma cidade do interior, ele pedia a mudança de pensamento do povo, que solenemente ignorava. Depois de trinta anos ele continuava lá, com o mesmo discurso. Perguntado por que não parava, ele disse que se parasse o povo o teria mudado, e ele lutava exatamente para mudar o povo.

- É isso! Parece esta sina do poeta, é muito difícil, mas...

- Também escrevo, não assim como você, luto contra a correria, toma aqui um cartão meu, me manda um e-mail, qualquer coisa, vamos trocar mensagens, idéias.

- Ah, pode deixar.

- Escreva qualquer coisa, nem que seja só um oi para que eu tenha seu endereço, a daí eu mando uma provocação.

- Pensei nas cartas dos modernistas.

- Não tenho tantas expectativas, mas não deixe de mandar uma mensagem quando puder.

- Fique tranqüilo, pode deixar comigo!

- Ah, e quanto custa? Só pra eu saber.

- Quinze Reais.

Até agora não recebi mensagem alguma, deve ser porque ele está em uma correria danada e não tem sobrado tempo para nada!

Estes têm sido nossos dias, comendo pelas pernas até mesmo os jovens visionários poetas de boné xadrez.

Retiro-me

Prezados amigos,

Foi um grande prazer conviver com todos você, e durante todo este tempo que nos conhecemos e fazer um das coisas mais prazerosas da vida de um brasileiro: Discutir futebol. Realmente foi de grande valia para mim, como amante deste esporte, compartilhar do conhecimento, opinião, paixão e até mesmo das insanidades dos caros amigos deste seleto grupo.
Mas como todo ciclo um dia se fecha, este chegou ao seu final. Retiro-me de todas e quaisquer discussões futebolísticas daqui a até pelos próximos 10 anos. Acontece quando chegamos a certo nível de excelência, somos obrigados a nos conscientizar de que não podemos continuar a fazer o que antes fazíamos, por isso tomo tal posicionamento, e quem sabe até 2016 os demais times brasileiros cheguem a um patamar que permita o embate de idéias com os torcedores do glorioso tricolor do Morumbi, o SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE.
Agradeço muito a todos, e neste momento de despedida peço desculpas por qualquer humilhação, raiva, ou contrariedade que fiz com que os amigos, torcedores de clubes comuns do Brasil e do mundo, passassem.
Como São Paulino feliz e satisfeito torcedor do clube mais vitorioso do país do futebol, e portanto superior por natureza, aceno com um último salve que pode ser de qualquer parte do mundo, pois afinal estamos em toda parte do planeta, resignado e agradecido, retiro-me.


Humildemente,

M.