terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Só pra entender - Brevíssimo comentátrio político econômico.

Certo, certo, só pra ver se eu entendi:

Nosso país entra neste ano com algumas coisinhas por resolver: a economia não cresce por conta dos juros estratosféricos praticados pelo Banco Central - BC, juros estes que não baixam por que o Conselho de Política Monetária - COPOM tem uma política monetária profundamente conservadora, beirando o medo.

O governo, em fim de mandato, amarga o segundo menor crescimento do produto interno bruto – PIB da América latina, só ganhando do Haiti que está em guerra civil, pois se não fosses por isso certamente até eles cresceriam além dos pífios 2,5% que nossa economia conseguiu evoluir. Estamos na platéia do espetáculo do crescimento que se vê mundo a fora, espetáculo este estrelado há muito pela China e seus operários amestrados.

O planalto diz que não pode fazer nada, pois o Banco Central tem autonomia para decidir o quê e como fazer, pois não faz muito tempo já houve uma briga por conta de tal liberdade que o BC queria, e não tinha, agora que tem faz isto, amara nossas pernas permitindo ao brasileiro nada além do rastejar economicamente.

O brasileiro trabalha mais de 160 dias por ano só para pagar impostos, trabalhamos do início do ano até o fim da primeira metade de maio para quitar nossos débitos com o grande sócio, são 44% do total. Colocando mais uma vez o dedinho na calculadora: mais de 3 horas e meia de trabalho por dia exclusivamente para gerar renda para o governo, e este ano a arrecadação bateu todos os recordes históricos, cresceu mais de 5% em relação a 2004!

Ta bom ta bom vá lá... o que mais temos? Estão dando feliz 2007 por aí, pois este ano temos carnaval, copa do mundo e eleições, e talvez falte ano para tanta coisa.

Correm em Brasília CPIs inócuas, que ninguém respeita, se você tiver alguma informação importante para uma CPI não esquente a cabeça, ninguém está obrigado a fornecer nada, nem mesmo um depoimento sincero. E o pouco que se descobriu pode ser assado como o recheio da pizza que os deputado e senadores querem preparar através de relatórios paralelos.

A auto convocação da câmara dos deputados deu o que falar, afinal de contas a única coisa que nossos nobres parlamentares fizeram neste período foi receber dobrado. Mas esta satisfação já recebemos, o recesso parlamentar foi diminuído de excessivos 90 dias para escassos 55 dias! E tem mais, a remuneração em caso de auto convocação será abolida, dá pra acreditar? Ano eleitoral fez milagres!

Resta-nos, neste baile em que o povo, chupando o dedão, só assiste, votar e trabalhar, mas frente a tudo isso que vimos, será que o voto vai mudar alguma desta vez? Dizem que cada povo tem o governo que merece, será que merecemos mesmo isso?

Lanço ao ar este questionamento... Algum eco?

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Star kiss

Tantos assuntos sérios e tantos e tão competentes escritores versando sobre tais temas que fico chateado só de pensar em falar sobre a operação tapa-buracos federais, CPI, conselho dê a ética, convocação extraordinária do congresso e sua remuneração extra extraordinária, então pra ver se sou capaz de fazer aquilo que o brasileiro e a hiena faz tão bem: rir.

Namoro na quadra de basquete: Beijo nas alturas.

Aos sábados não fazemos trocas, troque de loja.

Pombal cabeleireiros unisex: Cagamos na tua cabeça.

- Querida, coloque o relógio para me despertador as três, não posso perder o horário do meu remédio para insônia.

Simão meu filho, colírio alucinógeno agora é vendido em galão de 18L.

(Agora vou parar, não agüento mais! Nem eu estou suportando meu mau humor)

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Esperanças

É sempre a mesma coisa, aquele monte de desejos, sinceros ou não, não importa, aquele monte de blá blá blá e coisa e tal, tudo de bom, sucesso, saúde, felicidade, ainda bem que acabou!
Mais uma virada no calendário, agora já foi, jogue fora aquela folhinha rabiscada e já magra, a agenda ensebada e toda torta encoste-a numa gaveta funda junto das representantes dos anos que já foram, ou queime como você fez no ano passado.
Deixe o Silvestre pra trás, tire aquela roupa branca datada, junte a lingerie lavada com todas as outras lá na gaveta das meias, afinal de contas logo o elástico vai esgarçar, e a esperança que você depositou no vermelho de seu tecido, desbotará.
Guarde bem todas simpatias que fez, preserve ou jogue (prefiro jogar) todos os patuás, os patubês, e os patucês que fizeste, afinal estamos num ano novo. E aquela nossa dieta este ano vai!
O presente do amigo secreto, que você prometeu não entraria nunca mais, que não te serve para nada, embrulhe e guarde para se vingar em alguém no fim do ano.
No desmontar da arvore de natal, cuidado como os pisca-piscas, quem sabe se você caprichar, no natal deste ano não precise comprar de novo (todo ano é a mesma coisa, nunca funciona!), os cartões carregados de felicitações dos clientes-amigos, parentes distantes e carimbos de vereadores, presidentes de associações amigos de bairro, e este ano até o pessoal do sindicato se preocupou...
Os projetos não executados: engavete. Sonhos: comece de novo, não estará livre deles este ano. Dívidas: renegocie ou pague-as (é até engraçado). Promessas: cumpra ou remove-as. Consciência: mantenha a sua limpa, limpa de verdade, e não por nunca ser usada. Coragem: tenha coragem de mudar, ou fique onde está se tiver coragem. Mantenha sua integridade, seja fiel a si mesmo. Honestidade começa em casa e revoluções na cabeça. Trabalhe duro e acredite em si, se puder!
Desejo do fundo do meu coração saúde, paz e que a esperança se renove neste ano que nasce.


M.

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Como será o amanhã?

es.pe.ran.ça
(de esperar) sf 1 Ato de esperar o que se deseja. 2 Confiança em conseguir o que se deseja. 3 O que se espera ou deseja.

pers.pec.ti.va
(lat perspectiva) sf 1 Arte de figurar, no desenho ou pintura, as diversas distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos a distância. 2 Pintura que representa jardins ou edificações a distância. 3 fig Panorama; vista. 4 Probabilidade, expectativa.
Confrontam-se tais termos em minha cabeça. Na cabeça de todo brasileiro creio eu.

Tempo

Quem teve a idéia
de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial,
industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar
no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez, com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui por diante vai ser diferente
Carlos Drummond de Andrade
Mas o ano se inicia e temos que pensar em mais esta fatia.
Um bom ano a todos.
Novas reflexões, novas esperanças e vamos que vamos.
- Curada a ressaca, adiante!

Beijos a todas e abraços a todos.

M.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Fechamento

Pois bem crianças, mais um ano passou e as festas estão aí pelo meio. Não pude produzir nada além deste singelíssimo texto de agradecimento e de reconhecimento por toda generosidade de que foi alvo por parte de meus colegas de bordo assim como nossos importantíssimos, ilustríssimos e inteligentíssimos visitantes comentaristas ou não (superlativos à vontade nesta hora da festa e de emoção).


E aquilo tudo que se deseja nesta época do ano eu desejo a vocês, espero tê-los todos o ano que vem, presentes e ativos nos comentários, fazendo um simplicíssimo muito melhor.


Um braço a todos. Muito obrigado


M.

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

Poeta de boné xadrez.

Tinha reservado um tema especial para este texto que considero especial. A coroação da sorte que beneficia aos bem preparados, ou aos insistentes como eu, mas nem tudo se pode controlar...

Andava meio perdido por ruas do bairro de Pinheiros, aqui em São Paulo, sabe quando você marca um encontro e chega bem antes ao local marcado, e para não ficar esperando sentado você vai dar uma volta? Então, fazia isto, ia para uma grande loja de livros, CDs, e eletrônicos que há perto dali. Bem ao lado da porta de tal loja, estava um rapaz franzino, baixinho, aparentando uns vinte e três anos de idade e usando um boné xadrez:

- Olá brasileiro, ele me abordou com alguns livros nas mãos. Posso lhe oferecer cultura?

- Sim, eu disse a ele parando para ouvir o que tinha a dizer.

- Este livro é obra minha, independente, dê uma olhada.

Era um livro fino e com uma capa simples, peguei livro das mãos dele e veio junto uma recomendação:

- Abra na página doze, esta é boa para os dias em que vivemos hoje!

Para minha surpresa era um livro de poesias, li e vi que eram versos decassílabos, um soneto falando da correria do dia-a-dia, parei por um segundo e pensei que a indicação que me fizera era por conta da gravata que eu usava, pois bem, correria por correria, li rapidamente duas vezes e gostei.

- Escuta meu jovem, você tem sorte e azar, sorte, pois gosto de poesia, e azar porque não tenho dinheiro algum.

- Não tem problema, já estou acostumado.

- Parabéns pela iniciativa, é tudo por sua conta?

- Sim. Autoria, diagramação, produção, impressão, editoração e vendas...

- E por que em versos fechados?

- Na verdade tem de tudo aí, este capítulo é só de sonetos, mais adiante, veja, tem versos alexandrinos e lá no fim, versos livres...

- Puxa! Isso é raro. Mas e aí, qual é o mote? Por que escreve?

- São tantos os motivos, mas neste livro o que mais está presente é a chamada de atenção que tento fazer para quem não pára, para o humano, aparentemente nenhuma novidade.

- É, lembro da história do velho que fazia um discurso inflamado de cima de uma caixa, no centro da praça de uma cidade do interior, ele pedia a mudança de pensamento do povo, que solenemente ignorava. Depois de trinta anos ele continuava lá, com o mesmo discurso. Perguntado por que não parava, ele disse que se parasse o povo o teria mudado, e ele lutava exatamente para mudar o povo.

- É isso! Parece esta sina do poeta, é muito difícil, mas...

- Também escrevo, não assim como você, luto contra a correria, toma aqui um cartão meu, me manda um e-mail, qualquer coisa, vamos trocar mensagens, idéias.

- Ah, pode deixar.

- Escreva qualquer coisa, nem que seja só um oi para que eu tenha seu endereço, a daí eu mando uma provocação.

- Pensei nas cartas dos modernistas.

- Não tenho tantas expectativas, mas não deixe de mandar uma mensagem quando puder.

- Fique tranqüilo, pode deixar comigo!

- Ah, e quanto custa? Só pra eu saber.

- Quinze Reais.

Até agora não recebi mensagem alguma, deve ser porque ele está em uma correria danada e não tem sobrado tempo para nada!

Estes têm sido nossos dias, comendo pelas pernas até mesmo os jovens visionários poetas de boné xadrez.